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Antiga parceira da Odebrecht, mineradora de diamantes de Angola avança nos negócios com Rússia

Antiga parceira da Odebrecht, mineradora de diamantes de Angola avança nos negócios com Rússia

Informações Compartilhadas Sputnik Brasil

Com a organização do Fórum Econômico Rússia-África, Angola está marcando presença no evento, que tem como um dos importantes temas de discussão a indústria de diamantes.

Para entender um pouco mais o que liga a Rússia a Angola, e como foi a parceria brasileira na mineração de diamantes com as duas nações, a Sputnik Brasil conversou com José Manoel Augusto Ganga Júnior, presidente do Conselho de Administração da Endiama E.P., estatal angolana de prospecção, reconhecimento, exploração, lapidação e comercialização de diamantes.

O presidente do Conselho de Administração da Endiama desembarcou recentemente em Sochi para participar do Fórum Econômico Rússia-África com a esperança de fortalecer as relações com a Rússia na mineração de diamantes.

"Esperamos que se estreitem cada vez mais as relações [russo-angolanas] neste mundo globalizado e [esperamos] uma grande interdependência entre nós. Concretamente, com a Rússia já temos uma correlação bastante forte no domínio dos recursos minerais, particularmente dos diamantes, que é minha área. Queremos expandir a relação já existente e esperamos que os diamantes sejam a fonte de inspiração para essa multiplicação", revelou Ganga Júnior à Sputnik Brasil.

Parceria Rússia-Angola

No que diz respeito ao setor diamantífero, a parceria russo-angolana ganha força com a Alrosa, empresa de mineração de diamantes da Rússia, de um lado, e com a Endiama angolana do outro.

Diretor da empresa russa Alrosa, Sergei Ivanov, e presidente do Conselho de Administração da Endiama E.P., Ganga Júnior
© SPUTNIK / ALEKSEI DRUZHININ
Diretor da empresa russa de mineração de diamantes Alrosa, Sergei Ivanov, e presidente do Conselho de Administração da Endiama E.P., Ganga Júnior

Com 41% de participação na Sociedade Mineira de Catoca, a Alrosa possui participação igualitária à da angolana Endiama. Já a empresa chinesa Lev Leviev Internacional (LLI) entra com 18% na sociedade.

De acordo com Ganga Júnior, "a colaboração entre Rússia e Angola é de 1997, se não me engano, já são mais de 20 anos. Mas mesmo antes da constituição da Endiama e do domínio da organização dos setores geológicos mineiros, já se contava com uma participação da Rússia muito forte".

Se antes a Rússia entrava na parceria diamantífera com Angola através do mapeamento, topografia e cartografia, hoje é evidenciado uma expansão do leque de participação russa na busca por novos pontos de mineração de diamantes em Angola.

Ganga Júnior revelou para a Sputnik Brasil a criação de conselhos empresariais para atrair investidores russos, e para exportar investidores angolanos a terras russas.

"Constituímos conselhos de negócios empresariais para juntar a Rússia com Angola, dar a oportunidade a russos que querem ir para Angola e a angolanos que querem vir para a Rússia para investirem", revelou.

Odebrecht: antiga parceira na mineração de diamantes

A Sociedade Mineira de Catoca, que é responsável pela extração de mais de 75% dos diamantes angolanos, antes contava com acionistas de quatro nações – de Angola, Rússia, China e Brasil.

Placa da Construtora Odebrecht na Vila Olímpica e Paralímpica no Rio de Janeiro
YASUYOSHI CHIBA / AFP
Placa da Construtora Odebrecht na Vila Olímpica e Paralímpica no Rio de Janeiro

Com o escândalo de corrupção que caiu sobre a empreiteira brasileira Odebrecht, em 2017, a participação brasileira (16,4%) na Sociedade Mineira de Catoca foi vendida aos lados russo e angolano.

Ganga Júnior relembrou que a empreiteira brasileira "surgiu [na sociedade de mineração de diamantes em Angola] a convite das autoridades angolanas", e destacou que "o Brasil está muito bem implantado empresarialmente em Angola, na construção civil, nas tecnologias de informação, no comércio, enfim, contamos com o Brasil em várias atividades".

O presidente do Conselho de Administração de Endiama ainda lamenta a saída brasileira da sociedade de mineração de diamantes, mas se mostra aberto a novas parcerias com o Brasil, primeiro país a reconhecer Angola depois de sua independência.

"Foi uma pena, conforme disse, nós convidamos a Odebrecht para integrar o projeto [de mineração de diamantes em Angola] exatamente pelo reconhecimento de sua tecnologia empresarial [...], mas quem sabe, outras oportunidades existirão para empresas brasileiras e, aliás, estamos abertos para negócio."

Angola: 'virgem' em mineração e lutadora pela desminagem

Segundo Ganga Júnior, Angola costuma ser considerada terra "virgem" no domínio da mineração, não só de diamantes como de outros minerais. "Temos estado a promover o fortalecimento do investimento estrangeiro em Angola", ressaltou.

A mineração de diamantes é uma atividade realizada no solo, e, em se tratando de Angola, há um cuidado a ser levado em conta antes da exploração: a desminagem.

Angola entra na lista de países com presença de minas terrestres. De acordo com Ganga Júnior, trata-se de "um problema real, mas com solução".

"A Endiama não tem esse problema, pois está a ser feito um trabalho muito grande de desminagem. Em toda Angola, os resultados da desminagem estão a ser bons. Vale ressaltar que antes da atividade de exploração, nós fazemos primeiro a desminagem, então temos estado a ultrapassar isso. É um problema real, mas com solução."

Fórum Econômico Rússia-África

O evento, que visa unir ainda mais a Rússia e todo o continente africano, está sendo organizado na cidade balneária russa de Sochi entre os dias 23 e 24 de outubro.

Trata-se de um espaço de discussão dos atuais ramos de negócios promissores e de fortalecimento das relações econômicas já existentes entre as nações participantes. Além do mais, é um ótimo espaço para fechar negócios.

O Fórum Econômico Rússia-África deste ano conta com participação de representantes de empresas e de governos de 43 países africanos.

FONTE: Sputnik Brasil
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